Bruno Oliveira

Carro de deputada do Rio é atingido por tiro de fuzil


 O carro em que estava a deputada estadual e ex-chefe da Polícia Civil Martha Rocha (PDT-RJ) foi alvo de tiros na manhã deste domingo (13) no bairro da Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Estavam no carro a deputada, sua mãe e seu motorista. O veículo é blindado.


Rocha e sua mãe, de 88 anos, não foram atingidas. O motorista, o subtenente reformado da Polícia Militar Geonisio Medeiros, foi ferido no tornozelo e levado ao Hospital Getúlio Vargas. Ele foi liberado já no domingo.


A polícia investiga se o ocorrido foi um atentado ou uma tentativa de assalto.


Martha Rocha dirigia-se à Penha para buscar a mãe. Elas iam à igreja, como fazem costumeiramente aos domingos. No percurso, foram interceptados por um carro branco modelo Creta.


"Em determinado momento, o motorista desacelerou para ajustar o cinto de segurança da minha mãe quando eu percebi que ele tinha um ar de preocupação. Perguntei e ele disse algo como 'olha ai atrás'", disse a ex-delegada a jornalistas antes de prestar depoimento na Delegacia de Homicídios, no domingo.


O ocupante do banco do carona, um homem que vestia roupas pretas, luvas e touca ninja, disparou.


Ela contou que o motorista acelerou em direção à avenida Brasil, uma das principais vias expressas da cidade, e foi perseguido pelos atiradores. A deputada orientou sua mãe a se abaixar e disse que olhava para trás várias vezes para informar ao motorista a localização dos agressores.


Com movimentos de zigue-zague, o carro venceu uma pequena retenção na avenida, se distanciou dos criminosos e conseguiu despistá-los.


O veículo de Rocha percorreu ainda alguns metros até parar por conta de dois pneus furados. Só então o motorista disse que havia sido ferido no tornozelo. Ele passa bem.


"Eu pude ver que a pessoa do banco do carona portava um fuzil que me parece ser um M16 e que era alta, porque colocou metade do corpo para fora da janela antes de fazer os disparos", disse Rocha.


A deputada afirmou que recebeu, em novembro passado, três notificações de ameaça de morte vindas por meio do Disque Denúncia.


Segundo a parlamentar, as ameaças teriam partido de um "segmento da milícia que planejava atingir algumas autoridades do Rio" e seu nome estaria entre os alvos.


Na época, com o estado sob intervenção federal, foi-lhe oferecida escolta por um mês, o que ela recusou.


O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), pediu a investigação do caso. "Já determinei ao secretário da Polícia Civil, Marcus Vinicius Braga, que concentre todos os esforços na elucidação desse crime, que atinge não somente a deputada Martha Rocha, mas todo o povo do Estado do Rio de Janeiro", disse, por meio de nota.


A Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) também classificou o episódio como um atentado. Em nota, disse que considera "extremamente grave o ataque a tiros contra o veículo em que estava a deputada Martha Rocha e seu motorista" e pede urgência na apuração do caso e a prisão dos responsáveis.


Rocha foi primeira mulher a chefiar a Polícia Civil do Rio, cargo que assumiu em 2011 e ocupou durante três anos.


Ela foi eleita deputada estadual em 2014 e conquistou a reeleição no ano passado.


A dinâmica do ataque à deputada é similar ao assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), morta em 14 março no ano passado, em crime que ainda não foi esclarecido.


Marielle voltava para casa de uma palestra no centro da cidade quando o carro em estavam ela, seu motorista e uma assessora foi interceptado e atingido por tiros. Marielle e o motorista Anderson Gomes morreram no local.


As câmeras da rua em que o crime ocorreu estavam desativadas e há poucas testemunhas oculares do caso.


A polícia ainda não sabe quem são os autores do crime.

Com informações da Folhapress



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