Bruno Oliveira

Defesa entrega novo laudo para atestar insanidade de esfaqueador de Bolsonaro


A defesa de Adélio Bispo, autor da facada contra Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha eleitoral em Juiz de Fora (MG) em setembro, entregou novos laudos ao juiz do processo, na Justiça Federal, nesta terça (12).


Com isso, segundo a Justiça Federal, o incidente de insanidade mental –processo instaurado quando há dúvidas sobre a sanidade mental do acusado– foi concluído. Agora, o documento deve ser homologado antes da decisão da Justiça.


Segundo o advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, a avaliação da banca médica contratada pela defesa vai na mesma linha de laudos oficiais que indicam que o réu tem uma doença mental, sendo, portanto, inimputável.


"São laudos que estão apontando uma convergência, ou seja, psicólogo, psiquiatra, do juiz, da defesa, está todo mundo chegando a um ponto comum", disse Zanone à reportagem.


Ele se negou, porém, a responder qual seria a doença apontada pelos especialistas. "É o que o Brasil quer saber. Não posso falar porque está sob sigilo", afirmou.


O advogado afirma que os laudos entregues nesta terça são novos e tiveram como base quatro consultas realizadas com Adélio e os laudos oficiais realizados por peritos do juízo. A defesa contratou uma equipe coordenada pelo psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro.


Na semana passada, a Folha de S.Paulo confirmou com pessoas ligadas às investigações do caso que um dos laudos oficiais diagnosticou Adélio com "transtorno delirante permanente paranoide".


O primeiro laudo apresentado pela defesa de Adélio provocou pedido de uma avaliação judicial. O segundo foi produzido por um psicólogo profissional a pedido dos dois peritos nomeados pela Justiça Federal para a avaliação da sanidade do réu.


Ele serviu de apoio ao terceiro laudo definitivo, assinado pelos próprios peritos nomeados, que são psiquiatras.


Para o Ministério Público Federal em Minas Gerais, há uma divergência entre os dois últimos (os laudos psicológico e psiquiátrico) quanto à condição de Adélio, que não foi explicada nas conclusões dos documentos.


Segundo apuração da Folha de S.Paulo com outra fonte, os três laudos divergem entre si no grau da sanidade mental do réu. O processo contra Adélio está suspenso até que ela seja atestada.


Caso Adélio seja considerado inimputável, segundo a Lei de Execução Penal, ele deve cumprir medida de segurança. Assim, Adélio poderia ser encaminhado a um manicômio judicial e, em vez de sentença, ficaria submetido à avaliação médica periódica para sair ou não do sistema prisional.


Preso em flagrante no dia 6 de setembro do ano passado, depois de dar uma facada na barriga Bolsonaro durante um ato da campanha presidencial no interior mineiro, Adélio confessou o crime. Um inquérito da Polícia Federal concluiu que Adélio agiu sozinho.

Folhapress



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