Bruno Oliveira

Ex-aliado em SP, MBL declara guerra a Bruno Covas por 'isenção' e viagens


Ex-aliado da gestão de João Doria (PSDB) na Prefeitura de São Paulo, o MBL (Movimento Brasil Livre) voltou sua artilharia para o sucessor dele, Bruno Covas (PSDB).


O grupo que cresceu nos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2015 e 2016, e que atualmente ostenta quadros nas principais casas legislativas do país, rompeu com a atual gestão paulistana após a curva à esquerda de Covas, classificada pelos militantes do MBL como "estelionato eleitoral".


O ápice da guerra foi atingido nos últimos dias, após chuvas levarem caos e mortos à capital paulista, enquanto Covas fazia viagem a Berlim, na Alemanha.


O prefeito foi chamado de "Bruno Surfistinha", em referência à personagem Bruna Surfistinha, criado pela ex-garota de programa Rachel Pacheco; e também de "Jaiminho", uma referência ao personagem do programa do Chaves, um carteiro que estava sempre tentando "evitar a fadiga".


Membros do grupo chegaram a chamar o secretário executivo de Covas, Gustavo Garcia Pires, braço direito do prefeito, de "primeira-dama".


"No caso das enchentes, [Covas] foi um irresponsável. É como se a prefeitura estivesse nas mãos de um moleque", afirma o vereador Fernando Holiday (DEM), hoje na oposição ao governo.


O movimento chegou a usar a ressonância nas redes sociais para defender medidas de Doria e, na campanha ao governo estadual, voltou a apoiá-lo.


Holiday lembra, porém, que a relação com o atual governador na prefeitura nem sempre foi boa, lembrando, por exemplo, quando o ex-prefeito anunciou resolução regulamentando o Uber. Na ocasião, o MBL chegou a romper com Doria.


No caso de Covas, porém, a situação chegou ao ponto de integrantes do movimento afirmarem não haver mais possibilidade de entendimento.


Um dos pontos que mais irritaram o grupo foi a nomeação de Alê Youssef, agitador cultural progressista e ligado aos blocos de Carnaval e ao meio artístico. "Ele nomeou um secretário da Cultura que tem ideologia oposta daquilo que o Doria pregou em 2016, quando foi eleito", diz.


Holiday tem feito uma série de denúncias ao Ministério Público, sobretudo na área cultural. Também têm tentado obstruir projetos da atual gestão na Câmara.


"A estratégia política do prefeito é a que a gente chama de 'isenção'. Quer ficar bem com esquerda e a direita. É uma estratégia desconexa e, com esse posicionamento, ele vai acabar ficando sem ninguém", avalia Holiday, que também tenta barrar a ideia do prefeito de proibir os canudinhos plásticos na cidade.


Renato Battista, coordenador nacional do MBL, é quem tem usado o perfil nas redes sociais para fazer as críticas mais duras ao prefeito. As viagens estão entre as principais críticas.


"O Bruno Covas tirou férias de uma semana da prefeitura. Logo após ter participado de todos os dias do carnaval paulistano. De quebra, o seu grande amigo Gustavo Pires, secretário executivo da prefeitura, também pegou a semana de férias", escreveu.


"Gustavo Pires é conhecido como 1ª dama da Prefeitura e já emplacou empregos na máquina pública para a própria mãe e para seus colegas de faculdade."


Nomeado secretário executivo por Covas, Gustavo é seu braço direito. Ele acompanha o prefeito em boa parte das agendas, reúne-se com ele quase diariamente e cuida da relação com secretários. Além disso, é um dos melhores amigos de Covas. Em 2017, repercutiram negativamente as fotos de Covas nas praias do Leste Europeu com Gustavo e outros amigos.


O prefeito também deu um cargo para a mãe e para amigos de Gustavo na administração municipal.


Sem a presença virtual do antecessor João Doria, a popularidade de Covas tem sofrido um baque com os ataques dos membros do MBL, populares nas redes sociais.


Para o presidente da Juventude Tucana na capital paulista, Ramirez Lopes, o MBL perdeu a "razão de existir". "São Paulo é uma cidade progressista, e o Bruno tem caminhado bem nessa linha", afirmou. "Quanto à contratação do secretário Youssef, ela está oxigenando a Cultura e se aproximando dos anseios da população".


Para o vereador Fábio Riva, líder do PSDB na Câmara, os ataques do MBL não são justificados.


"O posicionamento do MBL já era esperado. Pelo que entendemos, os ataques começaram com a nomeação do secretário de Cultura, que eles entenderam como afronta porque ele teria alguma relação com a esquerda. E a nomeação é a de quem conhece a área cultural, a cidade é plural, e o prefeito entendeu que um dos nomes importantes para assumir a pasta de cultura é o Alê Youssef, pelo seu histórico", disse.


Riva também minimizou a ausência de Covas durante as chuvas que deixaram ao menos 13 mortos na Grande São Paulo, sendo dois deles na capital, e ressaltou que o prefeito retornou rapidamente ao posto.


Procurada pela reportagem, a gestão Covas não comentou o assunto.

Folhapress



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