Bruno Oliveira

Justiça determina prisão do médium João de Deus após denúncias de abuso sexual


 A Justiça aceitou nesta sexta-feira (14) o pedido do Ministério Público de Goiás e determinou a prisão do médium João de Deus, 76. Ele é suspeito de ter abusado sexualmente de uma centena de mulheres.


O médium, que mantém em Abadiânia (GO) a casa de curas Dom Inácio de Loyola, pode ser preso a qualquer momento. Ele está em local desconhecido.​


A Promotoria do estado chegou a criar uma força-tarefa para recolher relatos das supostas vítimas e em menos de dois dias já havia feito ao menos 206 atendimentos de mulheres, a maioria deles por email.


Em comum, a maioria delas diz que receberam um aviso de "procurar o médium João" em seu escritório ao fim das sessões em que ele atende aos fiéis.


No local, relatam as vítimas, João de Deus dizia que elas precisavam de uma "limpeza espiritual" antes de abusá-las sexualmente -desde pedir que tocassem seu pênis até estupro. Entre as vítimas estariam mulheres adultas, crianças e adolescentes.


Na segunda (10), Aline Saleh, 29 contou sua história à Folha de S.Paulo: "Quem tem de sentir vergonha é ele, e não eu". Ela diz que, em 2013, esteve na casa e que foi levada para um banheiro, posta de costas e que João de Deus colocou a mão dela em seu pênis.


Os relatos de 13 mulheres foram feitos inicialmente ao programa Conversa com Bial, da TV Globo, e ao jornal O Globo. Desde então, outras denúncias surgiram.


O promotor Luciano Miranda Meireles afirmou que os depoimentos podem ser o único meio de comprovar as acusações, já que crimes como o de estupro não ocorrem à luz do dia nem têm testemunhas.


João de Deus nega as acusações e, nesta quarta (12), apareceu pela primeira vez após as denúncias virem à tona na Casa Dom Inácio de Loyola. "Agradeço a Deus por estar aqui. Ainda sou irmão de Deus. Quero cumprir a lei brasileira. Estou nas mãos da lei. João de Deus ainda está vivo", afirmou a fiéis.


Funcionários da Casa já diziam, antes mesmo da prisão, querer antecipar o recesso do hospital, que supostamente oferece cura espiritual. O número de atendimentos já caiu 70%, segundo a administração do espaço.


Fundada em 1976, a instituição vive hoje uma das maiores crises de sua história. Donos de pousadas que ficam ao lado da casa contam que reservas estão sendo canceladas. Funcionários de restaurantes também dizem temer o fim dos negócios.
Procurada, a defesa de João de Deus ainda não se manifestou sobre a prisão.

 

MÉDIUM DAS CELEBRIDADES
O médium João de Deus, que diz fazer cirurgias espirituais através de entidades incorporadas, ostenta longa carteira de pacientes estrelados -de políticos a celebridades, brasileiros e estrangeiros. Da apresentadora americana de TV Oprah Winfrey ao atual presidente da República, Michel Temer (MDB).


Sua fama mundial começou em 1991, quando a atriz americana Shirley MacLaine -vencedora do Oscar pelo filme "Laços de Ternura" (1983)- tratou um câncer na região abdominal com João Deus. A bilionária apresentadora só ficou sabendo do médium, no entanto, quando entrevistou o psicoterapeuta Wayne Dyer, que afirma ter sido curado de uma leucemia por ele.


O empresário Marcus Elias, dono da Laep Investments, ex-controladora da Parmalat e da Daslu, é uma das figuras mais próximas de João de Deus. Foi ele quem apresentou ao médium personalidades internacionais como a modelo Naomi Campbell e fez pontes para que os ex-presidentes Lula e Dilma e tantos outros políticos de diferentes matizes ideológicos recebessem tratamento espiritual pelas mãos do homem que fez de Abadiânia (GO) uma Meca de peregrinos.


Gente de todas as classes sociais e dos mais diversos cantos do planeta que batia às portas da Casa de Dom Inácio de Loyola (padre jesuíta cujo espírito João diz incorporar) em busca de milagres e alívio para todos os tipos de males e dores.


Em 2012, Oprah decidiu vir até a cidadezinha de 15 mil habitantes, dividida ao meio pela BR-060, rodovia que liga Goiânia a Brasília, para conhecer o trabalho de alento e cirurgias espirituais. Lá, ela teria meditado, orado e testemunhado as tais cirurgias, na chamada sala da entidade.



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