Bruno Oliveira

Pego o primeiro voo para trazer de volta o delinquente, diz vice-premiê da Itália sobre Battisti


 O vice-premiê da Itália, Matteo Salvini, reagiu nesta sexta (14) com entusiasmo à notícia de que o ministro do STF Luiz Fux determinou a prisão do escritor Cesare Battisti, que vive no Brasil desde 2004, depois de ter fugido Europa, onde foi condenado pela morte de quatro pessoas nos anos 1970.
O encarceramento, se efetivado, abre caminho para a extradição do ex-militante, pedida há anos por Roma.


"Fico furioso com o fato de um condenado à prisão perpétua curtir a vida nas praias do Brasil, na cara das vítimas", escreveu Salvini em uma rede social. "Darei muito crédito ao presidente Bolsonaro se ajudar a Itália a obter justiça 'presenteando' Battisti com um futuro em nossas cadeias."


A palavra final sobre a eventual entrega de Battisti a autoridades italianas caberá ao presidente Michel Temer ou ao eleito, Jair Bolsonaro, que prometeu durante a campanha referendar a expulsão e voltou a fazê-lo na sexta ("conte conosco", escreveu em sua conta numa rede social).


"Se necessário, pego o primeiro voo para finalmente trazer de volta à Itália um delinquente condenado a prisão perpétua", completou o direitista Salvini, também ministro do Interior, que tem se celebrizado por um discurso anti-imigração e por desafiar com frequência normas e decisões da União Europeia (UE).
O ministro italiano da Justiça, Alfonso Bonafede, também saudou a decisão de Fux, mas ressalvou, também em publicação na internet: "Só estaremos satisfeitos quando Battisti for extraditado para a Itália".


A imprensa italiana também segue o caso com atenção. O maior jornal, La Reppublica, reserva vários títulos de sua versão digital à possível prisão e extradição. "O Brasil pede a prisão de Cesare Battisti: 'perigo de fuga'. Mas ele está desaparecido", diz um deles.


Em outra chamada, o diário apresenta o escritor como "o terrorista condenado a prisão perpétua, mas 'solto' pela política", uma referência à decisão do ex-presidente Lula de não expulsá-lo, no último dia de seu segundo mandato, em dezembro de 2010.


A publicação edita também uma entrevista com o irmão de uma das vítimas do ex-militante dos Proletários Armados pelo Comunismo.    
Mais discreto, o Corriere della Sera, de Milão, destaca a declaração do advogado do italiano de que não consegue contatá-lo desde quinta (13). "Para a polícia, é um fugitivo", completa. 


Por fim, no La Stampa, de Turim, um comentarista alfineta: "Salvini e Bolsonaro se gabam no Twitter; a extradição de Battisti será uma piada?".

Com informações da Folhapress



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