Bruno Oliveira

Polícia de SP prende 21 e diz ter encontrado caixa-preta do PCC


 Uma operação feita por agentes do departamento de narcóticos prendeu nesta quinta-feira (29) em São Paulo 21 suspeitos de ligação com o PCC e apreendeu um material considerado pela polícia paulista como a "caixa-preta" da facção criminosa.


Trata-se, segundo a Polícia Civil, de arquivos eletrônicos contendo uma série de informações sobre a quadrilha de Marcos Camacho, o Marcola, entre elas a relação de todos os integrantes do PCC no país, com seus respectivos "cargos" e "padrinhos" no crime.


Os arquivos também trazem a lista de devedores da facção e os criminosos que foram mortos pelo grupo em razão de desrespeito às regras ou dívidas não pagas entre eles.
"Hoje é um marco", afirmou o delegado Alberto Pereira Mateus Júnior, do Denarc (divisão de narcóticos), que disse estar perseguindo esses documentos havia anos.
"Este material apreendido hoje é um golpe na facção criminosa. Quando você desarticula um tráfico, ou desarticula um chefia, eles substituem. Agora como você vai substituir uma organização toda? A não ser que ela se extinga."


O material foi apreendido durante operação nesta quinta pelo Denarc, que tinha como alvo 47 suspeitos de tráfico –entre eles Gilberto Vieira Ferreira, 38, preso em São Miguel Paulista (zona leste).
Segundo a polícia, Beto, como era conhecido, tinha a função no PCC de "Pendrive" nacional, aquele que organiza as informações do grupo fora do sistema prisional -os chamados "livro branco" (com relação de nomes) e "livro negro" (com lista de devedores).

Outro dos presos na operação é responsável pelo transporte de familiares de detentos para as visitas em prisões.
A Polícia Civil disse que, em razão do volume de dados, não era possível informar nesta quinta a quantidade integrantes do PCC na relação apreendido com Beto.
Em material apreendido pela polícia de Presidente Venceslau (no interior de São Paulo) e também pelo Ministério Público, estima-se que a facção tenha mais de 23 mil membros no Brasil e fora dele.
Além de Beto, outras 20 pessoas foram presas na operação batizada de Linhas Cruzadas, um dos desdobramentos da ação do Denarc de maio de 2017 na região da cracolândia, no centro de São Paulo.
Mais de cem policiais participaram da ação que tinha 25 endereços para realizar buscas e apreensões, em cinco cidades (São Paulo, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes e Poá).
Também foram cumpridos mandados em prisões, já quem 14 dos suspeitos já estavam presos, mas foram alvo de novas acusações de envolvimento com o tráfico.


Segundo a Polícia Civil, além da venda de crack para várias regiões da cidade, como um tipo de "atacadão do crack", eles comercializavam maconha e cocaína -incluindo para dentro de presídios paulistas.
A investigação, coordenada pelo delegado Carlos Battista, durou cerca de oito meses e identificou oito núcleos, um deles formado por pessoas especializadas na "corretagem" de entorpecentes. Faziam a intermediação entre traficantes e ganhavam, por isso, uma parte das vendas.


Outro desdobramento da ação de maio de 2017 foi conhecido na quarta (28) com a operação realizada em sete hotéis na cracolândia e que tinha como alvo 12 suspeitos de tráfico de droga.
Quatro suspeitos foram presos, sendo três deles com mandados de prisão temporária, mas considerados de pouca importância para a facção.

Com informações de Rogério Pagnan da Folhapress



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