Bruno Oliveira

Políticos usam atentado em Suzano (SP) para se manifestar sobre armas


O atentado a tiros em uma escola de Suzano (SP) que deixou nesta quarta-feira (13) oito pessoas mortas, além dos dois atiradores, provocou comoção também no mundo político.
A tragédia serviu para que políticos de diferentes espectros defendessem suas posições sobre a liberação de armas, tanto contrários quanto favoráveis ao assunto.


O senador Major Olímpio (PSL-SP) afirmou que o massacre teria sido evitado caso os funcionários da escola estivessem com armas. "Para você enfrentar uns demônios armados desses só mesmo com instrumentos semelhantes. Se a legislação no Brasil permitisse o porte de armas, um cidadão de bem na escola, seja um professor ou um servente, evitaria a tragédia, impedindo que prosseguissem a marcha da morte deles", disse.


Também senador, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) usou a tragédia para criticar o desarmamento e, de quebra, a maioridade penal.


"Meus sentimentos a todos os familiares das vítimas covardemente assassinadas no colégio em Suzano. Mais uma tragédia protagonizada por menor de idade e que atesta o fracasso do malfadado estatuto do desarmamento, ainda em vigor", disse o senador.


Para o vice-presidente Hamilton Mourão, a flexibilização da posse de armas, autorizada pelo presidente Jair Bolsonaro, não tem relação com a tragédia, uma vez que o armamento utilizado pelos responsáveis, segundo ele, provavelmente não era legalizado.


"Eu não vejo essa questão [flexibilização]. Vai dizer que a arma que eles estavam usando era legal? Não tem nada a ver", disse, negando que a questão enfraquece também o debate para mudanças nas atuais regras de porte de armas.


A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi na direção contrária. "O porte de armas irrestrito e amplamente liberado a toda população vai dar instrumento para que o assassinato massivo se torne endêmico e cotidiano. A lei anticrime do ministro Moro é o encontro marcado com tragédias como a de Suzano", disse ela, no Twitter.


O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) falou, na mesma rede, sobre a responsabilidade do debate. "Tragédias como essa mostram como o debate sobre o controle de armas precisa ser mais responsável."


Na mesma linha foi o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB). "Lamentamos profundamente o ocorrido na E.E Professor Raul Brasil, em Suzano, que vitimou 8 pessoas, além dos assassinos. Precisamos ter responsabilidade no debate sobre o controle de armas. Nossa solidariedade e orações aos familiares e a comunidade escolar neste momento triste."


As manifestações de condolências ultrapassaram o debate sobre armas.


O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que foi ao local do crime, classificou o massacre como a cena mais triste que já viu. 


"Com profunda tristeza, estou muito impactado com o que eu vi aqui nessa escola. Uma cena muito triste. Antes de tudo, às vítimas, aos pais dessas crianças, aos familiares dessas duas funcionárias dessa escola, a nossa solidariedade. A cena mais triste que eu já assisti em toda a minha vida. Fico muito triste que um fato como esse ocorra aqui no Brasil e em São Paulo", disse.


O presidente Jair Bolsonaro reagiu após mais de seis horas do atentado. Em mensagem nas redes sociais, ele definiu a tragédia como monstruosidade e covardia e prestou condolências aos familiares das vítimas do ataque a tiros.


"Presto minhas condolências aos familiares das vítimas do desumano atendado ocorrido hoje na escola Professor Raul Brasil, em Suzano. Uma monstruosidade e covardia sem tamanho. Que Deus conforte o coração de todos", escreveu.


A manifestação do presidente ocorreu depois de integrantes de sua equipe ministerial já terem se pronunciado.


O Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Sergio Moro, lamentou a tragédia em nota. "O ministério da Justiça e Segurança Pública lamenta o grave atentado à escola estadual professor Raul Brasil, em Suzano (SP), que provocou o trágico assassinato de crianças e funcionários e presta solidariedade aos familiares neste momento de dor e tristeza. Os fatos ainda estão sendo apurados pelas autoridades competentes e o ministério se coloca à disposição do governo do estado de São Paulo", diz o comunicado da pasta. 


O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez chamou a ação de "inadmissível". "Crianças e jovens são o bem mais precioso de uma nação. É inadmissível que sofram qualquer tipo de violência. O ambiente escolar deve ser sagrado. Ainda hoje, estarei na cidade de Suzano", afirmou.


Mais cedo, o ministro da Secretaria-Geral, Floriano Peixoto, classificou o episódio como "tristíssimo". E o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, desejou sentimentos às famílias das vítimas. 


O vice, Mourão, lembrou o massacre de Realengo (RJ) e notou a frequência desses casos. "É muito triste e temos de chegar à conclusão por que isso está acontecendo. Essas coisas não aconteciam no Brasil", afirmou. "A minha opinião é que hoje a gente vê essa garotada viciada em videogame. E videogames violentos. É só isso que fazem", acrescentou. "Eu tenho netos e vejo meus netos muitas vezes mergulhados nisso aí. É isso que a gente tem de estar preocupado", disse.  


Para a ex-presidente Dilma, "a tragédia de Suzano causa espanto, dor e revolta." "Nada pode amenizar o sofrimento das famílias das vítimas. A elas minha solidariedade e meu desejo de que encontrem forças para resistir ao momento mais doloroso de suas vidas."

Folhapress



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