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Bruno Oliveira

Militares fazem operação em favelas dominadas pelo Comando Vermelho no Rio


 As Forças Armadas e as polícias civil e militar iniciaram na noite de domingo (15) uma operação na região do Jardim Catarina e do Morro do Salgueiro, área de favelas considerada o quartel-general do CV (Comando Vermelho) em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro.
Em redes sociais, moradores relataram a ocorrência de tiroteios. Confrontos também foram relatados pela organização OTT (Onde Tem Tiroteio), que monitora episódios de violência no Rio com ajuda de colaboradores e publica alertas nas redes sociais. O confronto não havia sido confirmado pela intervenção até a conclusão desta reportagem.


Segundo o Comando Conjunto, participam da ação 4.300 militares das Forças Armadas, 120 policiais militares e 80 policiais civis. De acordo com relatos de testemunhas, a avenida Brasil, uma das mais importantes do Rio, foi temporariamente fechada para deslocamento de uma grande quantidade de tropas.
Um dos principais objetivos da ação é verificar denúncias de que a facção criminosa estaria exibindo armamentos nas ruas e realizando tráfico de drogas abertamente. Durante a ocupação, a Polícia Civil tenta cumprir mandados de prisão.


Os militares também devem destruir barricadas e realizar revistas pessoais em busca de suspeitos.
Um morador ouvido anonimamente pelo "UOL" afirmou que o Comando Vermelho vinha cobrando taxa de proteção para comerciantes locais. Ele afirmou achar muito positivo que os militares estejam voltando suas atenções para a região. Disse porém temer que a mesma situação de medo volte a vigorar na região com a saída das forças de segurança.

ÚLTIMOS CONFRONTOS
Mais cedo neste domingo, a Polícia Militar foi atacada em outra base importante do CV, desta vez na capital fluminense. O confronto ocorreu no Complexo do Alemão, considerado o quartel-general da mesma facção criminosa, e cinco suspeitos foram mortos.
A OTT afirmou que militares também teriam se envolvido em outra troca de tiros na região da Praça Seca, mas o confronto não foi confirmado pela intervenção. As Forças Armadas têm feito patrulhas na região da Praça Seca enquanto policiais militares do 18º Batalhão, responsável pela região, passam por treinamento.
Na última sexta-feira (13), em uma ação na mesma região, os militares novamente sofreram resistência dos criminosos e entraram em confronto com membros do Comando Vermelho. Um suspeito foi ferido e quatro foram presos.


COLABORAÇÃO DE MORADORES
As tropas também estão distribuindo folhetos nos quais pedem a colaboração de moradores para denunciar a localização de suspeitos e armas. Os panfletos oferecem um telefone para denúncias anônimas 021 2253-1177 e uma e-mail para o envio de sugestões e reclamações: ouvidoria.intervencao@cml.eb.mil.br.
A distribuição desse material faz parte de um esforço da intervenção para ganhar o apoio da população e combater a ideia de que a presença do crime organizado em regiões pobres teria aspectos positivos à população.


Além dos panfletos, a intervenção tem promovido uma aproximação com moradores por meio da realização de ações comunitárias, em que se oferecem serviços de saúde, odontologia, orientação jurídica e confecção de documentos. Isso ocorre em paralelo a ações ostensivas de força em favelas.
A intervenção trata essas operações como medidas emergenciais, que ocorrem em paralelo a ações de bastidores para reestruturar e reequipar as polícias.
Críticos dizem que elas não resolvem o problema, pois os criminosos voltam a controlar o local assim que os militares deixam a região. Já apoiadores afirmam que elas ajudam a enfraquecer os criminosos e evitam que as facções se consolidem em algumas regiões.

O CV EM SÃO GONÇALO E NO SALGUEIRO
O Comando Vermelho é considerado um dos grupos criminosos mais violentos do Rio de Janeiro. A região onde ficam o Jardim Catarina e o Salgueiro foi um dos primeiros alvos das operações ostensivas das Forças Armadas no início do período de intervenção federal no Rio, em fevereiro deste ano.
A região dominada pela facção em São Gonçalo é considerada extremamente perigosa. Quando foi ocupada pela primeira vez durante a intervenção, no início de março, militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica foram recebidos a tiros.


Já o Complexo do Salgueiro foi palco em novembro de 2017, período anterior à intervenção federal, de uma ação de forças de segurança que deixou oito mortos. Membros das Forças Armadas participaram da operação e o Ministério Público Militar investiga se eles participaram do tiroteio que resultou nas mortes. Na ocasião, a polícia e as Forças Armadas disseram que não agiram na região de mata onde as vítimas foram baleadas.



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