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Bruno Oliveira

Três morrem em ação do governo da Nicarágua contra opositores


 Policiais e paramilitares lançaram na manhã desta terça (17) uma grande ofensiva contra a cidade de Masaya, na Nicarágua, principal bastião da onda de protestos contra o regime do presidente Daniel Ortega.
Ao menos três pessoas morreram, segundo Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH): um adolescente de 15 anos, uma mulher e um policial.
O foco do ataque foi o bairro de Monimbó, principal reduto dos opositores, que se protegem com barricadas e morteiros artesanais. No fim do dia, os confrontos cessaram, e forças governistas patrulhavam as ruas da região.
Todos os acessos à cidade estão bloqueados ou com pontos de controle. Jornalistas e organizações de direitos humanos não tiveram acesso à zona do conflito. Masaya tem cerca de 160 mil habitantes e está a 30 km de Manágua.
"Forças antimotim e de choque assediam Monimbó! Que o governo da Nicarágua pare este massacre! Por favor, irmãos de Monimbó, salvem as suas vidas!", escreveu, no início da manhã, o bispo auxiliar de Manágua, Silvio José Baéz.
"Há disparos por todos os lados, com fuzilaria de diversos calibres, fogo cruzado. Há uma ordem expressa de limpar Monimbó", declarou pela manhã Manuel Esquivel, fotógrafo do jornal La Prensa, que mora na região.
No fim do dia, ele disse que as ruas estavam sob controle do governo, mas que não havia segurança para trabalhar. Durante os protestos, jornalistas tiveram o equipamento confiscado ou danificado por policiais e paramilitares.
No fim de semana, uma ofensiva contra a cidade deixou ao menos 10 mortos, dos quais quatro policiais, segundo a Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH). A ONG estima que ao menos 360 morreram nos protestos, que nesta semana completam três meses.
As marchas começaram contra uma reforma da Previdência que diminuía os benefícios e aumentava contribuições. Ortega recuou, mas a repressão violenta alimentou mais manifestações, desta vez exigindo a renúncia do presidente esquerdista.
A crise mudou a rotina do país. Em Manágua o comércio fecha mais cedo, e há um toque de recolher informal às 19h, quando as ruas passam a ser patrulhadas por paramilitares. Os turistas, que procuram principalmente as cidades históricas de Granada e León e a costa do Pacífico, desapareceram.
O bairro indígena de Monimbó tem um alto valor simbólico para os sandinistas, liderados por Ortega. Em 1979, foi o refúgio dos guerrilheiros de esquerda antes da bem-sucedida investida final contra a ditadura da família Somoza.
Neste ano, Ortega não conseguiu fazer o tradicional festejo da revolução no bairro. A celebração ocorreu em outra área de Masaya na última sexta (13), sob forte presença policial e com 17 dias de atraso.



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