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Bruno Oliveira

Ação de Ortega divide esquerda brasileira e latino-americana


 Para o PT, os protestos contra Daniel Ortega fazem parte de uma "contra-ofensiva neoliberal". Já o PSOL compara a repressão comandada pelo presidente nicaraguense à Síria do ditador Bashar al-Assad.
A esquerda brasileira -e latino-americana- está dividida sobre o líder do movimento sandinista, que, nos anos 1970, inspirou milhares na região ao derrubar a ditadura de Anastasio Somoza, em 1979, mas que hoje comanda uma repressão responsável pela morte de cerca de 360 pessoas em três meses.
Entre os mais críticos está o ex-presidente e senador uruguaio José "Pepe" Mujica. Em pronunciamento no Congresso nesta terça-feira (17), ele falou sobre a decepção com os rumos do sandinismo e pediu a renúncia de Ortega.
"Entendo que aqueles que foram revolucionários perderam hoje o senso de que, na vida, há momentos em que devem dizer: 'Vou embora'".


No Chile, o Partido Socialista, da ex-presidente Michelle Bachelet, manifestou, em nota, "indignação com a violenta repressão" e defendeu o "restabelecimento da normalidade democrática" no país centro-americano.
No Brasil, o PSOL tem liderado as críticas de esquerda à onda de repressão. À Folha, o secretário de Relações Internacionais da sigla, Israel Dutra, afirmou que Ortega "está se tornando o Assad centro-americano".
"Há muito tempo a gente não via [na América Latina] um governo com esse nível de repressão", diz o dirigente. "Ele está transformando um protesto político radicalizado numa guerra civil contra uma banda desarmada."
Vale tem apoiado as ações de um grupo de resistência a Ortega formado por cerca de 20 nicaraguenses radicados no Brasil. Encabeçado por acadêmicos, promove pequenas manifestações, incluindo um na avenida Paulista, e debates sobre a situação do país.
Pesquisador da UFRJ, o cientista político nicaraguense Humberto Meza afirma que sente dificuldades para explicar a crise em seu país por causa dos paralelos -segundo ele, indevidos- com os protestos de 2013 no Brasil e a Venezuela.


Com relação ao PT, Meza, autor de um doutorado sobre o sandinismo na Unicamp, afirma que tem conseguido diálogo com pessoas em posições médias com laços com a Nicarágua, mas não com a cúpula do partido.
Membro do Foro de São Paulo, que reúne agremiações da esquerda latino-americana, a agremiação de Lula foi uma das que respaldaram o apoio do grupo à Nicarágua, durante encontro em Havana.
Participaram da reunião, realizada no início desta semana, lideranças como a ex-presidente Dilma Rousseff e os presidentes Evo Morales (Bolívia) e Nicolás Maduro (Venezuela).


"Depois de tantos sucessos, sofremos uma contraofensiva neoliberal, imperialista, multifacetada, com guerra econômica, midiática, golpes judiciais e parlamentares, como ocorre na Nicarágua e ocorreu na Venezuela", disse, durante o encontro, a secretária de Relações Internacionais do PT, Mônica Valente, atual secretária-executiva do foro.
Procurada via WhatsApp na terça-feira (17), Valente não respondeu à solicitação da reportagem para comentar a posição do PT sobre a crise nicaraguense.



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